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Segunda-feira, Junho 26, 2006
O Teu Rosto
Desço a
Velha escada.
Trago na mão
O Teu Rosto.
EnSonho...
Os meus olhos
Esperam as
Tuas sílabas.
Porquê?
Perguntas-me.
Sou um filho do sol e do mar
Respondo.
Eu também
Dizes.
Que bom
Penso. Sorrio.
EnSonho...
Sinto o
Sonar do
Meu
no
Teu
Peito.
Olhares. Curiosidade.
Silêncio. Cumplicidade.
EnSonhamos o
Caminho.
Para um oásis de sossego
Caminhamos
Lentamente.
Escuto
O Sonar
de uma
Maresia do silêncio.
Lisboa, Chiado
5 Fevereiro 2006
posted by Ana Mello |
2:33 PM
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Domingo, Junho 25, 2006
Sobrevivo para além...
Sobrevivo para além dos despojos
e adormeço na luz alvoreço na luz
no interior de uma sombra
de íntima pobreza
de onde quero partir
para um oásis de sossego e de cálidas alamedas
Vacilo sem saber pousar
na palma solar do dia
porque estou sempre na raiz do tremor
o corpo desatado
em fragmentos indecisos
sem saber de que palavras poderei nascer
e como poderei permanecer de pé
perante o bafo absoluto da noite
Sou um filho do sol e do mar
mas também escuto a maresia do silêncio
desta casa de sílex materno
entre as espáduas de água do olvido
Às vezes sinto a pulsação do peito de um arroio
e a extrema doçura de uma ilha de veias
E então vejo as anémonas dos olhos
a quietude azul dos tesouros domésticos
a graciosa leveza dos pequenos instrumentos
sobre fundo de carícias anónimas
Não imagino nada recebo apenas o hálito
de uma ânfora quebrada
pela turbulência do obscuro
mas tranquilamentesedenta
na sua dádiva mineral
Neste momento estou silenciosamente nu
e dir-se-ia que vejo as pupilas do mundo
as coisas limpas e novas no seu alvor de espuma
De súbito ouço-te cantar ou rir
como quem liberta o sangue prisioneiro
nos cristais de uma voz primaveril
e através da luz das sombras e da argila
celebro o solar aroma da vida
in O Teu Rosto de António Ramos Rosa
posted by Ana Mello |
1:33 PM
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Neste Estado
Encontrei
Letras enSonadas de
Outros tempos.
De Todos os
Tempos.
posted by Ana Mello |
12:12 AM
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Quinta-feira, Junho 08, 2006
Por falar em Nossas Madrugadas...
Madrugada
Sinto
O teu
Desejo no
Meio do meu
EnSonho.
Despertas
O meu.
Julgava-o
Adormecido.
Ensonado.
Exausto da
Noite de
Letras enSonadas.
Não.
O teu desejo
Sona e
EnSona
O meu.
Sinto o
Desejo do
Teu corpo.
Ou será do
Meu?
Não sei.
Não importa.
EnSonhámos
A Madrugada.
16 de Março de 2006
posted by Ana Mello |
11:45 PM
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Para a Luisa
Amigos que nos enSonham...
Tomam
Conta dos
Nossos
Medos
Tantas Vezes
Enchem o
Nosso
Escuro de
Luz
- (...) Todos têm medo do escuro.
- Os meninos não sabem que o escuro só existe dentro de nós.
- Não entendo (...)
- Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro só mora lá quem inventamos.
- (...) Somos nós que enchemos o escuro com nossos medos.
In O Gato e o Escuro de Mia Couto
posted by Ana Mello |
11:26 PM
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Para a Luisa
Amigos que nos enSonham...
posted by Ana Mello |
11:03 PM
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Quarta-feira, Junho 07, 2006
Para a Luisa
Amigos que nos enSonham...
posted by Ana Mello |
1:42 PM
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Feira do Livro II
Sensualidade. Erotismo.
Prazer. Desejo.
Corpo. Pele.
Homem. Mulher.
Complementariedade.
Amor Único.
Feminina e Intimista a Poesia de Maria Teresa Horta penetra as minhas entranhas...
As Nossas Madrugadas
Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito
pois suspeitas
que com ele me visto e me
defendo
É raiva
então ciúme
a tua boca
é dor e não
queixume
a tua espada
é rede a tua lingua
em sua teia
é vicio as palavras
com que falas
E tomas-me de força
não o sendo
e deixo que meu ventre
se trespasse
E queres-me de amor
e dás-me o tempo
a trégua
a entrega
o disfarce
E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes
na pressa de teres o que só sentes
e possuíres de mim o que não sabes
Desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo
e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vais descobrindo vales.
In Minha Senhora de Mim de Maria Teresa Horta
posted by Ana Mello |
12:26 PM
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Terça-feira, Junho 06, 2006
Feira do Livro I
Não sei que
Coração será...
De Homem?
Foram poucas as
Letras
Ainda...
Sei que
Não quero:
Um Coração
Que contém
Sentimentos.
Emoções
Como Fraqueza.
Um Coração
Solitário.
Um corpo
Nada mais
Só
Instrumento de
Prazer.
Não Vejo
Este O
Coração dos
Homens.
E tu?
O Coração dos Homens
Numa cidade sem mulheres, os homens revelam a sua verdadeira natureza.
Todas as mulheres são expulsas de uma Cidade-Estado, as suas memórias apagadas. Um grupo de amigos - Ele, Mau e Grande - cresce nesse universo exclusivo de homens em que o pugilismo se tornou no desporto nacional, a força física uma qualidade e as emoções um sinal de fraqueza. Eles atravessam a decadência da Cidade nas suas motos, procurando o perigo e as lutas de rua. Mas um dia enfrentarão o resto do mundo, as mulheres, e terão de confrontar-se com a brutalidade da sua própria natureza. O coração dos homens vai ao fundo da amizade masculina, fala da contenção dos sentimentos, da solidão, dos impulsos sexuais e do corpo como único instrumento de prazer.
O Coração dos Homens de Hugo Gonçalves
posted by Ana Mello |
3:17 AM
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Sábado, Junho 03, 2006
Ontem...
Sons. Letras.
Vozes. Imagens.
Sensações.
Letras enSonadas.
Magia
Sem Tempo.
Roger Waters in Rock in Rio
posted by Ana Mello |
8:04 PM
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Quinta-feira, Junho 01, 2006
Ao passar por aqui vi...
Crianças.
Filhos.
Tesouros.
Ensonhos...
Uma mulher que carregava o filho nos braços disse:
"Fala-nos dos filhos."
E ele falou:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.
In O Profeta de Kalil Gibran
posted by Ana Mello |
3:57 PM
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